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Geral

“Não fiz parte nenhum dia do governo dele”

  • Orlando Pontes
  • 05/09/2020
  • 11:35

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Prefeita assumiu após o afastamento de Cristovam
Tormin, por assédio, e agora tenta a reeleição.

A professora Edna Santos (Podemos) assumiu após o afastamento de Cristovam Tormin (PSD) da Prefeitura de Luziânia por suspeita de assédio contra uma funcionária. A ex-vice-prefeita garante, porém, que sua gestão não é uma continuidade da anterior:

“Desde que tomei posse, como vice, sempre me mantive no distrito do Jardim do Ingá, onde moro. Não fiz parte nenhum dia do governo. Fiz um trabalho individual. O ex-prefeito nunca me permitiu fazer parte do governo. Desde o seu afastamento não tivemos nenhum tipo de diálogo”, afirma.

Candidata à reeleição em 15 de novembro, já conta com cinco partidos (PT, PP, PSC, PDT e Patriota) e negocia com outras duas legendas – de uma delas deverá sair o seu vice. Vai enfrentar o advogado Eládio Carneiro (PSL), ex-suplente no Senado do governador Ronaldo Caiado (DEM), que tem o apoio da família Roriz; e o deputado estadual Diego Salgado (DEM), referendado pelo próprio Caiado.

Mineira de Unaí, mora no Jardim do Ingá há 43 anos. “É preciso conhecer e viver aquela realidade para ser capaz de propor soluções”, diz a prefeita nesta entrevista ao Brasília Capital. Ela entrou para a política, em 2008, como vereadora e não se elegeu deputada estadual em 2010. De 2011 a 2012 assumiu a Secretaria do Entorno de Goiás. Reelegeu-se vereadora, em 2012, e, em 2016, tornou-se a primeira mulher vice-prefeita de Luziânia.
A senhora assumiu o cargo após o afastamento de Cristovam Tormin (PSD), por assédio contra uma servidora. Ele apoia sua reeleição? – Acredito que não. Desde o seu afastamento não tivemos nenhum tipo de diálogo.

A senhora assumiu em meio a uma crise. Como a população reagiu à sua posse? – Assumi dia 21 de fevereiro, início de carnaval. A prefeitura devia, praticamente, à cidade toda e foi negativada na Quarta-Feira de Cinzas. Dez dias depois veio a pandemia. Foi muito difícil nesse primeiro momento. Porém, com duas semanas, eu já comecei a ter muito apoio da comunidade e dos funcionários públicos. Isso foi me dando mais firmeza para tocar os trabalhos.

E como reagiram os vereadores? – A Câmara Municipal deu todo o respaldo necessário. Hoje acredito que adquiri o respeito da comunidade de Luziânia.

É com esse respeito que a senhora pretende se reeleger? – E também com a força do trabalho. Luziânia precisa de pessoas que acreditem na nossa cidade, que vinha em uma linha muito decadente, em que as pessoas não acreditavam mais.

Mas a senhora fazia parte da administração passada… – A partir do momento que tomei posse, como vice-prefeita, sempre me mantive no distrito do Jardim do Ingá, onde moro. Não fiz parte nenhum dia do governo, na prefeitura. Fiz um trabalho individual. O prefeito anterior nunca me permitiu fazer parte do governo.

Mesmo a senhora tendo participado da chapa que o elegeu? – Exatamente. Participação nenhuma. Tem um gabinete particular, no Distrito do Ingá, onde todos os dias eu atendia a comunidade que me procurava. Nada ligado à Prefeitura Municipal.

“A minha prioridade é cuidar da minha cidade. Temos que ser olhados com respeito”.

Como candidata à reeleição, quais são as suas prioridades? – A minha prioridade é cuidar da minha cidade. Temos que ser olhados com respeito. Eu atendo a todos que me procuram, que me ligam, que mandam mensagem. Abro espaço de segunda a sábado, às vezes até aos domingos. Tinha uma demanda reprimida. Estou tentando colocar a parte administrativa em dia. Já quitamos muitos débitos e reiniciamos diversas obras que haviam perdido recurso.

Mesmo com a pandemia? – Sim. Licitaamos a pavimentação asfáltica para o Jardim Planalto, para o Bairro JK. Em Luziânia, iniciamos, nesta semana, a obra da avenida Miguel Realle, esperada há muito tempo no município. Reativamos a construção de cinco escolas que estavam com as obras paradas há mais de 4 anos e já iniciamos a obra da Unidade Básica de Saúde no Jardim do Ingá.

A partir desses contatos com as pessoas, quais são as principais demandas da comunidade? – Emprego.

E o que a senhora tem feito para resolver essa questão? – Temos encaminhado projetos para a Câmara Municipal que visam esse fortalecimento. Reinstalamos o Sine, que tem conseguido alavancar muitas vagas no setor comercial. Fizemos doações de áreas para três empresas se instalarem no município.

Quais empresas? – A MRJ, um laboratório de produtos farmacêuticos pediátricos; a Casabi, de ração e nutrição animal; e a Geladinho, que está se instalando no Jardim do Ingá para fabricação de dindin, sorvete, iogurte etc.

Isso representa quantos empregos? – Cerca de 300 empregos diretos.

Uma das principais demandas das cidades do Entorno de Brasília é a segurança pública. O que a senhora tem feito nessa área? – Ampliamos o banco de horas. A prefeitura paga para ter mais policiais na rua. Um exemplo é na zona rural. Não tínhamos patrulha rural. Com o banco de horas, a patrulha rural está atuando na Maniratuba e no Surucucu, com posto fixo. Também ampliamos o banco de horas da Polícia Civil, da Guarda Civil e do GPM, que são os vigilantes dos órgãos municipais.

Quantos policiais civis e militares atuam no município? – Este é um dado do governo do Estado. Nós só controlamos o banco de horas, que custa R$ 70 mil por mês e aumenta 15 policiais a mais por dia para uma população de 300 mil habitantes.

O que a senhora tem feito para melhorar o transporte público de Luziânia para o DF? – Primeiramente, estou arrochando a fiscalização porque existe muita pirataria. Nós não temos como resolver a questão do transporte se os Governo do DF e de Goiás não se entenderem. Enquanto os dois mantiverem essa briga de força que eles têm feito, o transporte não vai andar. Por exemplo: o GDF vinha com o trem de passageiro e o governo de Goiás brigou no dia da visita. E acabou o trem de passageiro. Os dois governos precisam respeitar o trabalhador do Entorno. Nós, enquanto município, só podemos cobrar. Isso eu tenho feito.

A senhora está sozinha nessa cobrança? – Não. Conto com o apoio de todos os prefeitos do Entorno. A gente tem tomado muitas medidas por intermédio da Amab (Associação dos Municípios Adjacentes a Brasília), que reúne 19 prefeitos e hoje é presidida pelo Hildo do Candango, de Águas Lindas.

Como tem atuado para mudar a realidade de que o melhor hospital das cidades do Entorno é uma ambulância para levar os pacientes para Brasília? – Quando assumimos, o hospital regional estava em construção há 5 anos. Fiquei 2 meses atendendo lá dentro. Meu gabinete era na recepção do hospital em obras. Conseguimos concluir a obra e o hospital foi doado para o governo do Estado porque o município não tem recursos (cerca de R$ 5 milhões mensais) para bancar todo o hospital. Hoje, contamos com um hospital com 30 leitos de UTI. Concluí a obra do PAD 1O, que é a UBS do Jardim do Ingá, e o colocamos em funcionamento. Concluímos a reforma do Parque Luzilia, uma unidade concluída há mais de três anos e que estava depredada. Agora está funcionando. Credenciamos, junto ao Ministério da Saúde, 18 leitos de UTI para tratamento da covid-19. Montamos uma base no hospital do Jardim do Inga, Lá, hoje, temos cinco respiradores à disposição da comunidade.

Esses leitos estão ocupados? -– Não, graças a Deus.

Como está a situação da pandemia no município? – Infelizmente, já registramos 62 óbitos. Mas, para uma população de 300 mil, significa 0,14%. Ampliamos o horário de atendimento, que antes era de 8h às 17h, para 7h às 22h, de seis unidades de saúde (três em Luziânia, três no Jardim do Ingá). Adotamos o protocolo inicial recomendado pelos infectologistas e sanitaristas. Com isso, amenizamos a previsão de mortos, que era um número exorbitante e, graças a Deus, estamos conseguindo passar por essa pandemia salvando muitas vidas.

Quem será o seu vice? – Nós temos dois partidos que virão para o grupo e acredito que o vice sairá de um deles. Mas não posso revelar ainda quais são esses partidos.

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