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Há um recomeço

  • Redação
  • 23/08/2015
  • 21:42

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E por falar de amor, sem dor

Noutro dia, recebi a carta de um leitor aflito naquele velho sentimento que sempre nos apavora: quando o amor da vida toda vira “ex” da noite para o dia, e a gente tem que pôr fim aos sonhos ainda atravessados no travesseiro. Por mais pessimismos que a gente possa carregar das dores passadas, nunca esperamos colocar uma nova pedra sobre o amor. É sempre uma surpresa não pretendida. De uma hora para outra passa a doer aquilo que nos fazia sorrir, a saudade vira a lembrança sofrida e o coração tem que passar pelas limpezas mais profundas: machucando-se até jorrar sangue, enquanto esfola-se contra as paredes da razão.

É a grande verdade da vida: o trem do destino sempre segue, parte carregando pedaços que nem sempre estamos dispostos a doar. Nem sempre há aviso prévio. Não adianta gritar em outra direção. As coisas quando estão para acontecer não costumam nos escutar. Temos que aprender a abrir mão do que não dá mais, do que ficou para trás. Perdoar o que não pode mais nos acompanhar.

Deixa o outro partir, abra as portas para quem faz questão de ir embora. Que cada um carregue consigo as histórias que não realizou. Que cada um carregue as promessas que não cumpriu, que compense as horas pelas quais não esperou. Deixe que o outro leve os erros da sua paz, que leve consigo os carinhos que não praticou.  É assim, não queira segurar. Não vá implorar por outra resposta. Não vá insistir por alguma sobra. Não vá buscá-lo no ponto de ônibus, com lanche da padaria para o fim do dia, com rastros de esperanças por vocês dois. Respeite o fim que o outro impõe. Não vá rasurar vírgulas sobre o ponto final.

Acredite sempre nas coisas que chegam. O antídoto para a dor é o desapego da felicidade que conhecemos. Entende? Quando a gente sofre por alguém, sofre porque fica vidrado naquilo que viveu e ignora que a vida é o mistério do segundo seguinte. Você estava com um cara? Ok! Vocês foram felizes? Ok! Acabou? Ok, e por que não? Afinal, antes de conhecer o cara que te fazia tão feliz, você nem sabia que ele iria um dia chegar. E quem te garante que você não vai sair por aí, para comprar pão na padaria da esquina e dar de cara com um novo amor?

A gente tem que confiar nas coisas que estão por vir. Coisas que, se a gente aprende a olhar na direção certa, enxergará.

Ah, meus caros, não é que eu não sinta o fim de um amor. Sinto, e muito. Mas, a gente não pode ficar na linha para o tem nos atropelar. Não há apenas um alguém para nos fazer feliz. A vida é feita de opções que a gente desconhece. Por isso eu digo, sempre: o segredo não é brigar com a – inevitável – dor, mas sim desapegar-se da felicidade já conhecida e se abrir para o novo. O amor também mora no desconhecido. Há sempre um recomeço.

 


Eu que parti, pode avisar


Sou o cara para você


Quero alguém que me namore


 

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